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Quando se quer mostrar que o cálculo proposicional possui uma estrutura booleana, sempre se apresenta a Álgebra de Lindenbaum que lhe está associada. Pois eu fiquei cá pensando por que não se pode dotar o próprio conjunto de todas as fórmulas do cálculo de uma álgebra de Boole? Por que passar por todo aquele trabalho de definir uma relação de equivalência e passar o quociente? Afinal, pegue-se o conjunto de todas as fórmulas, ele é fechado pela conjunção, pela disjunção e pela negação. Pois bem, o problema é que para ser uma álgebra de Boole deveríamos ter que, entre outras, para duas fórmulas e
,
, mas a fórmula
não é igual à fórmula
(embora o conjunto de todas as fórmulas logicamente equivalentes a
seja de fato igual ao conjunto de todas as fórmulas logicamente equivalentes a
, dados os axiomas, regras de inferência e noção de equivalência clássicas), e portanto o conjunto de todas as fórmulas do cálculo proposicional não forma uma álgebra de Boole.
OdC adora lembrar que uma formação intelectual sólida requer o conhecimento razoável de uma ou duas tradições religiosas. Parece sensato. É de espantar, porém, que ele nunca mencione a necessidade de conhecer razoavelmente uma ou duas disciplinas científicas. Seria engraçado ver as gentilezas que ele dedicaria a quem quer que dissesse o contrário, isto é, exigisse conhecimento científico mas esquecesse o conhecimento religioso.
Mesa de bar. Uma jarra de vinho sobre a mesa. Elas perguntam se podem sentar, se não vão atrapalhar. GB olha para mim, eu digo: “Claro que podem, não temos nada a esconder. Falávamos mal da humanidade em geral, e não de humanos particulares”.
(Wittgenstein. Philosophische Untersuchungen, 50) O conceito de objeto físico possui na linguagem quotidiana um status semelhante àquele do metro-padrão na linguagem da mensuração. Não faz sentido perguntar se estes objetos físicos existem ou não existem, assim como não faz sentido perguntar se o metro padrão tem um metro de comprimento. A concepção de objeto do senso comum é um padrão “este padrão é um instrumento da linguagem com o qual fazemos afirmações acerca de [fenômenos]. Neste jogo de linguagem o padrão não é nada de representado, mas um meio de representação”. A nossa linguagem faz uso desse conceito, já o pressupõe, portanto qualquer candidato à objetividade deve medir-se contra ele, assim como qualquer distância é medida contra o metro-padrão. Questionar a existência de objetos na linguagem quotidiana é questionar uma forma de vida, mas pode-se questionar a validade da aplicação deste conceito em uma outra linguagem, por exemplo a linguagem da ciência.
Recentemente caiu-me às mãos um pocket pc e400, e única serventia que encontrei foi transformá-lo em um leitor de livros eletrônicos. Atualmente estou testando arquivos PDF (e DJVU), mas ainda não sei o trabalho todo vale a pena, o resultado final não é muito diferente do que se consegue com um leitor de textos.
O que eu faço é usar o GutenMark para transformar os arquivos de texto do PG em LaTeX, e incluo o seguinte no cabeçalho:
\documentclass[12]{book}
\usepackage[paperheight=73mm,paperwidth=54mm,hmargin=1mm,vmargin=1mm]{geometry}
\usepackage{palatino}
\usepackage[english,german]{babel}
Ainda estou experimentando com as fontes, por enquanto a palatino pareceu-me a mais confortável.
Como as fontes dos títulos de capítulo não parecem ser afetados pelo geometry, eu as diminuo manualmente, colocando um ‘\Large’ no ‘\chapter’.
Alguém cujo nome esqueci fez esta comparação razoavelmente interessante. O empirismo está para o agnosticismo como o realismo está para o teísmo e o ficcionalismo e o instrumentalismo estão para o ateísmo. Os realistas afirmam que somos racionalmente coagidos a acreditar na verdade (aproximada) das teorias científicas (é verdadeiro que a entidade b existe), os empiristas simplesmente afirmam que não há motivos para acreditar ou exigir das teorias algo além da adequação empírica (a crença na existência de b é empiricamente adequada, mas não podemos dizer que ela existe), e os instrumentalistas afirmam que as teorias científicas não são nem verdadeiras nem falsas, mas apenas ferramentas úteis para realizar previsões (não existe b, que, na verdade, é só um dispositivo de cálculo, possuidor de algum valor heurístico, apto em organizar a experiência).
Quanta, Tropes or Processes. Johanna Seibt
- Pesquisa ontológica é metafisicamente neutra.
- Uma ontologia é uma teoria explicativa. Devem portanto satisfazer duas restrições: (i) o requisito de minimalidade ou navalha de Occam, e (ii) o princípio de fundação que diz que deverem os conceitos básicos de ontologia ser fundados na experiência. [Este segundo princípio, carnapiano segundo a autora sem dúvida eliminaria as ontologias menos tradicionais, como a de qconjuntos, pois requer que as entidades básicas de um sistema sejam intuitivamente claras e experienciáveis. Assim a noção de “substância” é sempre uma das principais candidatas ao posto de noção fundamental, pois é a noção com a qual temos mais contato quotidianamente, uma ontologia que não se baseie em substâncias deveria encontrar-lhes um substituto igualmente natural e intuitivo.
- A noção de substância possui tal força que muitos a tomaram como leis do pensamento. [Os pragmático-transcendentais parecem seguir este mesmo caminho, considerando o objeto físico como substância uma espécie de condição de possibilidade da experiência, e que portanto o objeto da MQ nào sendo uma substância clássica, simplesmente não pode ser considerado objeto.
- Não existe uma única caracterização de “substância”, mas ela possui quatro funções principais: independência, capacidade de ser sujeito, persistência, determinação.
- Critica os qconjuntos por não fornecerem uma ontologia para os quanta, isto é, não esclarecerem o que se são particulares, concretos, o que é identidade, indistinguibilidade, etc.
Simons. Candidate General Ontologies for Situating QFT.
Simons faz uma breve introdução à metafísica e à ontologia e enumera diversos frameworks ontológicos diferentes que poderiam ser utilizados pelo ontólogo da ciência, comentando brevemente a sua aplicabilidade ao caso da QFT.
- A metafísica aspira cobrir todas as entidades e dar os princípios que as governam nos seus aspectos mais abstratos e gerais. Logo, a metafísica precisa encontrar um lugar para tudo.
- A metafísica está condicionada à ciência, ela não pode ser incompatível com os resultados da ciência.
- Não é conveniente utilizar ‘ontologia’ e ‘metafísica’ como sinônimos. A ontologia fornece as categorias formais sob as quais toda entidade cai e os princípios formais que as governam.
- Uma ontologia da QFT seria inedequada fora da âmbito da física, isto é, não se deveria querer estendê-la para outros domínios.
- Muitos acreditam na harmonia entre características sintáticas e ontológicas. Assim associados às categorias de nome, predicado, sentença, estariam as categorias de substância, atributo e estado de coisas. A ciência contemporânea teria servido para mostrar que não bons motivos para sustentar essa harmonia entre linguagem e ontologia.
Kulhmann,Lyre e Wayne. Introduction. In: Ontological Aspects of Quantum Field Theory.
Nesta introdução os autores justificam a importância da ontologia em física e da física em ontologia, bem como apresentam rapidamente QFT e a ontologia, bem como campos a ela próximos, como a semântica e a epistemologia. A importância da física para a ontologia é óbvia: uma ontologia do mundo natural não pode deixar de levar em conta o que a física tem a dizer. Por sua vez, a ontologia teria um papel heurístico relevante na atividade científica, ajudando a fornecer uma visão coerente de mundo capaz de facilitar e instigar a pesquisa científica.
- Reclama-se que a filosofia em nada serve à ciência. Engano que provém de duas concepções equivocadas: a concepção de que a física é único meio de estudar os fundamentos do mundo natural, e de que os métodos e resultados da filosofia nada têm a ver com as ciências naturais.
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“The aim of ontology is to get a coherent picture of the most general structures of the world, or of being qua being—to use Aristotle’s famous programmatic description of ontology. One wants to know which kinds of things there are and how everything is related, whether and how some things are composed of parts and whether there are fundamental entities out of which everything else is composed. The ontologist of QFT is then concerned specifically with the story that QFT tells us about the world — provided that QFT is a true theory.
- A filosofia da ciência possui dois ramos: um que estuda os aspectos metodológicos da ciência e outro que estuda o seu conteúdo.
- A filosofia pode ser útil à ciência na medida em que possui um papel heurístico.
- A ontologia em filosofia da ciência pode ser criticada é criticada seja pelos que dizem que ontologia é uma tarefa exclusiva da ciência (positivismo lógico) seja pelos que dizem que ontologia é uma tarefa exclusiva da filosofia.
- Physics can explain which properties a thing has, how its properties evolve in time and out of which parts it is composed. However, it is not a question for physics what a property is, whether the distinction between things and their properties is sensible, how identity and change are to be analyzed and which kinds of part/whole relations there are. While such issues are often irrelevant when looking at the everyday world or at most issues in science, they do acquire importance when the findings of special sciences do not fit into our common schemes any more. Innocent- looking questions like “Is this the same electron as before?” can become unanswerable unless it is understood what sameness and thinghood consist in, and it is exactly these questions which are traditionally in focus in philosophy.
- Se a tarefa da ontologia é desvendar os compromissos ontológicos das teorias científicas, resta o problema de saber, como no caso da MQ, de qual teoria científica estamos falando. Não apenas há várias formulações distintas que parecem agregar uma ontologia distinta, como numa mesma formulação não é claro quais elementos do formalismo possuem peso ontológico e quais são apenas ferramentas matemáticas úteis.
(i) por que a ciência “funciona”?
(ii) como pode a matemática “descrever” a “natureza”?
(iii) qual o fundamento e significado de conceitos físicos como: massa, matéria, partícula, espaço, tempo, movimento.
(iv) as “leis da natureza” são “necessárias”?
