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  • Plurals and Complexes. Keith Hossack. The British Journal for the Philosophy of Science 51.3 (Sept 2000): p411(33).

Even such truth-value gaps can be admitted and coped with, perhaps best by something like a logic of three truth values. But they remain an irksome complication, as complications are that promise no gain in understanding.. (Quine. Word and Object, p.177)

Somos livres para escolher a lógica que usamos. Mas a escolha e a formulação de um sistema formal não é arbitrária, ela se deve pautar por princípios pragmáticos. Uma lógica que não apresente ganhos em entendimento, não passando apenas complicação matemática deve ser posta de lado em favor de uma lógica mais simples, mais esclarecedora.

“Each elimination of obscure constructions or notions thate we manage to achieve, by paraphrase into more lucid elements, is a clarification of the conceptual scheme of science” (Quine. Word and Object, p.146)

Eis aí uma bela justificativa para explorar as conexões entre lógica, ontologia e ciência. A ciência passa muito bem sem lógica e sem filosofia, os cientistas podem se comunicar muito bem sem lógica e sem filosofia, então, pergunta-se, qual a relevância da lógica e da filosofia para a ciência? Uma reposta pode ser extraída da citação acima de Quine: o esclarecimento do esquema conceitual da ciência. Nos manuais de física quântica fala-se em partículas idênticas, mas o que significa isso? A idéia de objetos indiscerníveis porém numericamente distintos é contrária à matemática tradicional, à filosofia tradicional e boa parte do senso comum. Parafrasear o discurso sobre partículas idênticas em uma linguagem canônica que efetivamente sirva para elucidar o conceito de não-individualidade significa “esclarecer o esquema conceitual da ciência”. É uma justificativa unicamente filosófica, e portanto bastante fraca, mas que deveria ser forte o suficiente para um filósofo.

“The quest of a simplest, clearest and overall pattern of canonical notation is not to be distinguished form a quest of ultimate categories, a limning of the most general traits of reality.” (Quine. Word and Object, p. 161)

A lógica seria portanto ela mesma uma espécie de ontologia. As tábuas de categorias estariam já automaticamente inscritas na linguagem. A questão é: até que ponto uma mera análise lógica revela a ontologia de uma teoria científica? Sendo necessário traduzir toda teoria para a linguagem canônica, inexistiriam questões de ontologia particulares a uma ciência. Pior ainda, a ciência nada nos diria de novo acerca da realidade, tudo que há para ser dito já está escrito na gramática da linguagem canônica. Aceitar um monismo lógico implica não apenas petrificar o mundo, mas retirar da ciência a tarefa de descobrir e descrever a realidade.