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А dizer àquela a quem se quer impressionar:
“[Senhora] De costumes suavíssimos e honestos” (Basílio da Gama. O Uraguai, Canto Terceiro)
“No one would designate as the province of natural science the psychic processes of experiencing Nature and thinking about it, rather than Nature itself.” (Husserl. Formal and Transcendental Logic, p. 152)
Em resumo, se a ciência não é ciência da natureza, qual o sentido de se engajar na prática científica?
Três modos de caracterizar entidades abstratas:
- É algo que não está no espaço-tempo (a vermelhidão é exemplificada nos objetos vemelhos, mas ela mesmo não está neles).
- É algo que só é apreendido após um processo de abstração (vemos uma bola vermelha, mas não a esfericidade e a vermelhidão)
- É algo que pode ocupar a mesma região espço-temporal que outras entidades abstratas (a esfericidade e a vermelhidão de uma bola vermelha ocupam exatamente a mesma região espaço-temporal)
Richard Cartwright (Identity and Substitutivity,1971, in Identity and Individuation) escreve que “[t]o show that two things — propositions or any other tings — really are two, nothing will suffice short of mentioning something true of one of them that is not true of the other.”
Cartwright nega que possam existir coisas indiscerníveis mas que são duas. Parece então que a cardinalidade está intrinsecamente ligada à identidade. Só é possível atribuir um cardinal a uma coleção quando é possível distinguir cada uma delas das demais, isto é, quando não forem idênticas. A mecânica quântica apresentará um contraexemplo?
Condições de possibilidade da experiência vistas como condições instrumentais da aparição de fenômenos (Bitbol, MQ, p.29). Na física clássica os resultados de medida eram, em princípio, “invariantes por modificação de seqüências experimentais e tipos de aparelhagem utilizados” (opcit), permitindo esquecer a determinação contextual da ocorrências dos fenômenos (fenômeno é sempre relativo a um dado contexto experimental), confundindo-os com a coisa mesma. A não-comutatividade de certos observáveis na MQ impede esta independência dos resultados frente a “ordem de utilização da aparelhagem” (p.30)
“de savoir à quelles conditions et dans quelles circonstances particulières il devient possible de surmonter l’agnosticisme et de rattacher les symboles de la théorie physique à l’univers pré-compris des choses et de leurs déterminations propres” (p.31
Husserl. Investigações Lógicas. Parágrafo 42.
Lógica como teoria geral da ciência. Condições de possibilidade de uma ciência em geral. Ciência utiliza conceitos de verdade, proposição, sujeito, predicado, objeto, propriedade, princípio e conseqüência, relativo e relação, etc. Toda ciência pretende falar de verdades, e toda verdade reside em uma proposição, toda proposição contém propriedades e objetos (tipos lógicos de níveis distintos), proposições se encadeiam de acordo com uma operação de conseqüência (dedução).
Lógica estuda estes conceitos e as suas conexões teóricas
Temos uma noção de objeto físico, que nos é dada pelo modo de agir e falar no mundo. É impossível a rejeitar, pois nós de fato guiamos a nossaa ação e linguagem por ela, isto é, toda possível rejeição já é sempre posterior, dependente da sua aceitação prévia. Assim, todo possível objeto da ciência deverá mediar a sua pretensão a ‘objetividade’ frente ao objeto do senso comum. Sendo primitivo e fundamental, o objeto do senso comum fornece o critério, o padrão relativamente ao qual todo candidato à objetividade deve ser medido. Daí pendão pragmatista, a objetividade do objetos (da ciência) depende não princípios a priori fixos e imutáveis, necessaria e universalmente válidos, mas sim é constituído e é relativo a um determinado modo de vida, a um determinado agir e falar. A concepção de objeto do senso comum fixa um certo quadro de expectativas, o modo como esperamos que os fenômenos se comportem. Sempre que esse quadro de expectativas é preenchido, estamos justificados em estender a ontologia do senso comum ao domínio de fenômenos em questão. Daí o pendão transcendental da abordagem, ela busca as condições de possibilidade de um discurso sobre objetos em geral, os limites a que toda atividade experimental deve sujeitar-se para ser considerada experiências sobre objetos.
“A capacidade de julgar, por conseguinte, é também o específico do assim chamado senso comum, cuja falta nenhuma escola pode remediar” (Kant. KrV, 172b)
Mesmo que a lógica clássica seja inaplicável a certos ramos da ciência, pode-se salvá-la (e portanto rejeitar o monismo lógico) usando o expediente de Frege:
“a device invented for certain scientific purposes, and one must not condemn it because it is not suited to others ” (Frege: 1879, ‘Begriffsschrift’)
Isto é, a lógica clássica possui um domínio de aplicação específico, e não se pode acusá-la de erro por não se aplicar a domínios nunca almejados pelos seus criadores. É claro que um monista lógico, alguém que acha que só há uma única e verdadeira lógica, não poderá aceitar essa saída. Quem considera lógica uma espécie de disciplina a priori, à qual todo discurso deve se conformar,deverá encontrar uma boa desculpa para a existência de lógicas não-clássicas. Para sorte sua, contudo, ainda não haja disciplina científica que seja claramente avessa à lógica clássica, e portanto uma tal justificação não se impõe.
(a) Abordagem ontológica: analisa-se todas as restrições impostas pela teoria e procura-se então um sistema de entidades adequado. O sistema de entidades deve, é claro, além de satisfazer as restrições impostas pela teoria satisfazer as restrições que se impõem a uma ontologia qualquer, como a precisão (deve ser possível o descrever matematicamente), e o princípio do fundamento (deve ser o mais próximo possível da ontologia do senso comum, isto é, não deve ser mero formalismo, mas possuir alguma familiaridade e valor heurístico).
(b) Abordagem transcendental: analisa-se as condições de possibilidade de um discurso sobre objetos em geral (as condições de possibilidade da objetivação) e então verifica-se a sua aplicabilidade à teoria.
