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(i) por que a ciência “funciona”?
(ii) como pode a matemática “descrever” a “natureza”?
(iii) qual o fundamento e significado de conceitos físicos como: massa, matéria, partícula, espaço, tempo, movimento.
(iv) as “leis da natureza” são “necessárias”?

“While civilization has been improving our houses, it has not equally improved the men who are to inhabit them.” (Thoreau. Walden)

Os vizinhos podem pertencer a diferentes graus civilizatórios, mas isso significa apenas que batucam em tambores de diferentes graus de complexidade. Frente ao tambor primitivo do pagode está o tambor eletrônico do techno. Não há diferença nenhuma entre eles, nem entre os que os manuseiam e apreciam. A barbárie techno torna-me muito simpático o anarcoprimitivismo, mas daí me vem à mente a figura ameaçadora e primitiva do tambor, esse algoz do bom-gosto…

” Grabe hier nicht mehr vergebens:
Tages Arbeit! Abends Gäste!
Saure Wochen! Frohe Feste!
Sei dein künftig Zauberwort.” (Goethe. Der Schatzgräber)

“Mancebo sem dinheiro, bom barrete,
Medíocre o vestido, bom sapato,
Meias velhas, calção de esfola-gato,
Cabelo penteado, bom topete.

Presumir de dançar, cantar falsete,
Jogo de fidalguia, bom barato.
Tirar falsídia ao Moço do seu trato
Furtar carne à ama, que promete.

A putinha aldeã achada em feira,
Eterno murmurar de alheias famas,
Soneto infame, sátira elegante…

Cartinhas de trocado para a Freira,
Comer boi, ser Quixote com as Damas,
Pouco estudo, isto é ser estudante
(Gregório de Matos. Soneto)

Infelicidade minha, uma malta de estudantes habita a casa da frente. Gente insuportável. Fizeram da casa um cortiço, transformaram todo canto em habitáculo. Só na frente da casa há quatro deles. Mal de ouvidos , mal de educação, mal de gosto. Perceba-se, é o próprio reino da maldade. Se não chega a tanto é ao menos um posto avançado, maneado pelos seus mais diligentes súditos.

Somando-se a maldição estudantesca da frente ao cortiço sambista de trás, o caipira psicopata da furadeira do lado, o playboy de três casa à esquerda, a família cocainômana de três casas à direita, a kombi de som dos produtos de limpeza catarina, a moto de som do amolador, o avião de som do circo, o caminhão de som do abacaxi, o andarilho de som do ferro-velho-panela-velha, os carros de som dos supermercados, das associações de moradores, dos sindicatos, dos idiotas cujos aparelhos de som do carro são mais caros do que os próprios carros, e fechando a conta com os caminhões musicais de gás, não seria despropositado afirmar que estou no inferno. Em vida, devo ter sido um desses celerados surdos que infernizam os outros com a sua música. Morto, pago o pecado rodeado de demônios musicais. O Brasil é o inferno, não há mais dúvida.