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Putnam distingue três variedades de realismo em Three Kinds of Scientific Realism (1982, reimpresso em Worrall, The Ontology of Science), num texto extremamente confuso para quem já não é um connaisseur de realismos científicos.

1. Materialismo
Putnam não é claro sobre como o fisicalismo pode ser entendido como uma forma realismo científico. Um fisicalista acredita que todas as propriedades intensionais ou semânticas podem ser reduzidas a propriedades físicas. Imagino que seja a idéia de que não precisamos nada além da física para explicar mesmo os fenômenos tipicamente não-físicos como aqueles intensionais, assim os únicos existentes seriam aqueles objetos que as teorias físicas mais bem estabelecidas dizem existir. Putnam aponta supostas falhas na semântica fisicalista, eu diria que a física contemporânea não é suficientemente clara sobre que objetos existem e qual a sua natureza.

2. Metafísica
Segundo Putnam, o realismo metafísico defende que há uma realidade que transcende as nossas teorias, e é, por conseguinte, rigorosamente independente de nós. A existência de uma realidade neutro permite trabalhar com uma noção de verdade então que vai além da adequação empírica das teorias, para o realista metafísico de duas teorias distintas, porém empiricamente equivalentes, apenas uma pode ser dita verdadeira, muito embora não consigamos decidir qual delas. A dificuldade que Putnam apresenta ao realista metafísico é pluralidade de teorias matematica e empiricamente equivalentes.

3. Convergência
Extremamente confuso. Putnam discute aqui o problema da permanência da referência através da mudança de teorias. Assim, por exemplo, só podemos acreditar que um termo como ‘átomo’ da física atual refere-se à mesma entidade que a palavra ‘átomo’ da física de cem anos atrás se referia caso aceitemos o princípio de caridade, caso tratemos as entidades da ciência de maneira semelhante a que tratamos os objetos do senso comum.

“Our best metaphysical theories of objects, kinds, and properties may leave us with some indeterminacy. Science tells us that certain kinds of entities are real, without giving us precise ways of distinguishing them or their parts. There is little reason to think that such precision is forthcoming.” (Prinz. “Vagueness, Language, and Ontology”, Ejap)

“Vague objects are most happily defined as ones that have borderline parts. For example, there might exist grains of sand that are borderline parts of the Sahara desert. This may be attributable to an ontological uncertainty of the relation, x is a part of y. Borderline parts are the most likely source of vague identities. Two objects may be vaguely identical just in case they differ in their borderline parts. Objects can also be vague in another sense: they can be borderline cases of vague properties. A neonate may be a borderline instance of the property person even if it lacks borderline parts. Some objects may be vague in both senses. For example, an object that is a borderline instance of being a mountain may also have borderline parts around its periphery.” (Prinz. “Vagueness, Language, and Ontology”, Ejap)

Como se vê, a “vaguidade quântica” não costuma entrar nas taxonomias da vaguidade, O problema: defender de maneira sensata a sua inclusão entre as categorias de objetos vagos mostrando que (a) é sensato considerar os quanta como objetos vagos e (b) o seu tipo de vaguidade não se reduz a nenhum dos tipos tradicionais de vaguidade.

  • Plurals and Complexes. Keith Hossack. The British Journal for the Philosophy of Science 51.3 (Sept 2000): p411(33).

Dos artigos consultáveis aqui no fim do mundo (aliás, por que ninguém assina a Philosophical Topics?):

  • Akiba, K., 2004, ‘Vagueness in the World’, Noûs, 38: 407–429.
  • Markosian, N., 2004, ‘Two Arguments from Sider’s Four-Dimensionalism’, Philosophy and Phenomenological Research 68: 665–673.
  • Merricks, T., 2001, ‘Varieties of Vagueness’, Philosophy and Phenomenological Research 62: 145–157.
  • Hudson, H., 2000, ‘Universalism, Four-Dimensionalism, and Vagueness’, Philosophy and henomenological Research 60: 547–560.
  • Dorr, Cian (2003) “Vagueness without Ignorance” Philosophical Perspectives 17: 83-113.
  • Pinillos, N. Angel. “Counting and indeterminate identity.(Author Abstract).” Mind 112.445 (Jan 2003): 35-50.
  • Copeland, Jack (1997): ‘Fuzzy Logic and Vague Identity’, Journal of Philosophy 94, pp. 514-34.
  • Morreau, Michael (2002): ‘What Vague Objects Are Like’, Journal of Philosophy 99, pp. 333-61.
  • Greenough, Patrick [2003] ‘Vagueness: A Minimal Theory’, Mind 112, pp. 235-81.

E mais uma página com uma bibliografia razoavelmente atualizada: http://www.st-andrews.ac.uk/~arche/pages/vagbib.html

The philosophically interesting and by no means ludicrous question is: How does this work? What is a good model of this sort of competence—of our ability to live with vagueness in cases such as these? (Varzi. Vagueness in Geography,Philosophy & Geography 4:1 (2001), 49–65)

O último post saiu pela metade. Problema do wordpress ou problema do Drivel. Na verdade problema meu, que perdi uma das poucas anotações que de fato serviriam para alguma coisa.

Em Vagueness, Logic and Ontology (The Dialogue. Yearbooks for Philosophical Hermeneutics 1 (2001), 135–154) Vazi enumera alguns motivos para recusar uma abordagem ontologizante da vaguidade, considerando que a vaguidade seja modelada via lógica fuzzy:

(i) A imprecisão dos conceitos vagos desfaz-se em uma infinidade de graus precisos de pertencimento. Em outras palavras, se é impreciso que um indivíduo a possui a propriedade P, então que sentido teria modelar essa relação dizendo que a possui P precisamente no grau μ, isto é, se já temos dúvidas se Pa ou ~Pa, acaso estaremos certos de que Pa precisamente no grau μ?

(ii) Esta abordagem supõe que pontos precisos em que passa dos casos dúbios aos casos certeiros, isto é, que supõe que há um ponto preciso em que deixa de ser verdadeiro que Pa para se tornar apenas parcialmente verdadeiro que Pa. Se não há um fronteira precisa separando os objetos que são P dos objetos que não são P, haverá uma fronteira precisa separando os objetos que são P em grau 1 dos objetos que são P em grau μ.

“to say that the referent of a term is not sharply demarcated is to say that the term vaguely designates an object, not that it designates a vague object” (Varzi. Vagueness, Logic, and Ontology)

Seguindo Quine no Word and Object.

Termos gerais e termos singulares podem ser vagos. Um termo geral como ‘montanha’ é vago em dois sentidos: relativamente às fronteiras dos objetos a que se aplica, e relativamente à inclusão ou exclusão de objetos marginais. Na vaguidade do primeiro sentido, entra o problema de decidir a porção de terra a que podemos chamar de montanha, isto é, como decidir para cada montanha particular exatamente a porção de terra que a compõe. No segundo sentido está o problema de decidir para cada elevação, se ela é elevada o suficiente para poder ser chamada de montanha.

No primeiro sentido, portanto, a vaguidade é ontológica, pois não está em dúvida se o objeto é ou não uma montanha (se o objeto pertence ou não à extensão do predicado ‘é montanha’, se Pa ou ~Pa), o duvidoso é o objeto ele mesmo, que não sabemos nem onde começa nem onde termina o próprio objeto (não é duvidoso Pa, o dúbio é o próprio a).

Quine diz que o tipo ontológico de vaguidade é marcada pela indeterminação da contagem. Por exemplo, não é claro se há um vale no meio de uma montanha ou se há um vale separando duas montanhas. Se não é claro onde o Índico termina e o Pacífico começa, então não é claro quando oceanos há entre a costa oriental da África e a costa ocidental da América. O interessante aqui é que os quanta não são vagos neste sentido, pois em geral num dado instante não é vago quantos quanta compõem um dado sistema.

O tratamento dado por Quine à vaguidade era o esperado, ele as “parafraseia” para fora da linguagem canônica ou então as “endireita” por definições ad hoc. Por exemplo, podemos definir o Everest como sendo o seu ponto mais alto e falar apenas em distâncias até o ponto mais alto. Caso seja necessário falar de um objeto vago, nós definimos algo não-vago de acordo com os propósitos da nossa linguagem, “the rulings adopted to resolve the obstructive vaguenesses are adopted only locally for the purposes in hand.”